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sábado, 21 de março de 2009

Gruta de vidro

Gruta de vidro

Fonte que brota dos sonhos
Que traz a vida em si
Que corre nas veias da vida
Dentro de mim e de ti

Teu sabor agrada a tudo,
Mais que o aroma das rosas,
Tua cheiro difunde nos gostos
Tua cor transparesse mais,
Bem mais do que a própria verdade
Que se vê e não se escuta
Que se sente e não se refuta
Que nos faz fechar os olhos
Cegando a visão de que a vida
Segue sendo interrompida
Sem auxílio de espada

O branco do céu sumiu!
Deve ter ido para o Sul
Acompanhando a revoada
Pois bem sábia é a passarada
Que foge da escassez
Bem como sempre se fez

E quando o verão chegar?
Seguir-se-á na passiva
Amanhã não sei como será
Talvez derreta vidro
Para enganar minha saliva

quarta-feira, 18 de março de 2009

Esperança enquadrada


Esperança enquadrada

Cansado fui à árvore
Do alto da janela
Talvez pelo verde das folhas
Talvez pela esperança da calma
Talvez pela esperança da alma
Ou pelo frescor do vento

Da janela ao muro
Esconde o restante da paisagem
Vão até perder de vista
Até onde pinta o artista
Alcançando o horizonte
Além da esperança selvagem

Quem planta sonhos aqui?
Uma única árvore no quarteirão
O resto da esperança na visão
Tão enquadrada...
Do alto de uma janela
Onde nenhuma aquarela
Chegou a manchar a tela
Colorida da cor do céu
Monocromático e estático
Dos sonhos do artista

Se diminuísse o horizonte
Ou aproximasse o foco
Talvez a esperança estaria
Mais colorida do que a ponte
Que, até então, nos distancia.

sábado, 7 de março de 2009

Viva a poesia

Viva a poesia

Meu poema é minha vida
E a vida é um poema
A poesia inspira vida
E a vida inspira à poesia

A vida é poesia
Bem como, a poesia é vida.
Vida que traz viva
E vivas! vivas! vivas...
Inspiram a poesia e a vida

- Viva a poesia!
Contra a poesia morta...
Poesia viva
- Contra a morte da poesia!

Viva e sem vida
Morta e sem poesia
- Sem graça!
Morta e com vida
Com poesia!
Uma flor sem vida
A beira da partida...
- Viva a poesia!
Pois ela está viva.

O dilema é o poema
Bem como o poema é um dilema.
Sobe o olhar de cinema
A morte é poesia
Embora a morte tire a vida
E a vida seja poesia...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Carta aos puros de coração

Carta aos puros de coração

O Tempo passa,
As coisas passam
O tempo não pára
E é tudo tão estático
Enquanto o vento muda
A direção das ondas

Elas sempre vão em frente
Indo e vindo
E nunca são as mesmas,
São uma só
As ondas são o mar
Bem como as lembranças
São a vida

O ponto de partida
A chegada antes de sair
O poder de persistir
E ao mesmo tempo
O de valer a mudança.

Realmente não se encontra nas estrelas
O destino
Pois ele muda
As estrelas não...
As estrelas são o chão
O alicerce dos sonhos
E por isso...
A vantagem de sonhar.

Bem como a lua age no mar
E a luz na vida
O sol age sobre minha vida
Retirando toda escuridão
Toda não!
A luz não entra em cavernas fechadas...

Bendito seja quem fez tudo isso
E maldito aquele que criou a confusão
Pois confundir-se na luz
É absurdo para os serenos
Porém fatal,
Aos ingênuos e puros de coração.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Garota bonita

Dedico essa poesia a uma grande amiga que, de certa forma foi a inspiração para que essa poesia viesse a existir... o Nome deixarei em oculto, mas ela sabe do que se trata.

Garota Bonita

Por que observas ao longe?
O que observo ao longe?
Admiro tuas manias
Teu jeito de mexer no cabelo
Teu ar de mocidade palpitante
Desperta o desejo ofegante
A cada simplório olhar distante

Ar de menininha
Por trás de uma casca madura
Uma coisa pura
Capaz de quebrar a armadura
Da madeira mais escura
Do cavaleiro mais cara-de-pau

Até o luar vira aurora
Quando despertas pela madrugada
Bate em revoada a passarada
O galo canta tua beleza
Expulsando toda tristeza
Revelando toda nobreza
De quem põe às mãos a inchada
E honra a terra com os pés na estrada

Não és minha amada
Mas tua serenidade
Liberta em mim a sinceridade
De falar sobre a verdade
Na qual possuo total liberdade

Garota bonita
Não tens laço de fita
Mas no corpo agita
Essa eloquência maldita
De um coração que palpita
Por um breve olhar.